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domingo, 12 de maio de 2013

Enxoval nos EUA X no Brasil



PARTE II - O famigerado carrinho de bebê!


Tenho o hábito de escolher primeiro a má notícia. Daí porque estamos falando do carrinho e do canguru (Parte I) e futuramente, da babá eletrônica, antes dos itens básicos de um enxoval... Depois que escrever sobre esses itens complicados, a mamãe que lê essa postagem achará todo o resto muito fácil...

Começo contando que atualmente,cheguei ao número recorde de 5 carrinhos em 2 filhos. Caiu o queixo? Acredite, paguei menos do que muita gente que adquiriu apenas um. Nada contra, eu fiz apenas uma escolha adaptada à minha realidade, que é a regra básica para quem faz um enxoval (para o tema, ler o post "Comprando para o segundo bebê: dissecando as famigeradas listas de enxoval" - e nesse momento percebo como eu curto a palavra "famigerada"! :D).

E assim, pedindo desculpas por não ter conseguido antecipar a parte II, como prometido - com filho em crise alérgica respiratória, mãe esquece as calças, imagina o blog! - estreio o título 1.

1. Todo carrinho, assim como o enxoval, é uma escolha sobre a sua própria vida.


Parece filosofia de botequim, mas se a mãe não parte dessa máxima quando faz suas compras, além de comprar coisas desnecessárias -  o que inevitavelmente acontecerá, pois ninguém tem bola de cristal para saber como será a vida do bebê no primeiro ano - ela sentirá culpa por ter comprado coisas que não usou. Não existe, assim, a lista perfeita, o enxoval todo usado exaustivamente pela mãe e pelo bebê...

Quando se está fazendo o enxoval em seu próprio país, a melhor solução é ir com calma, comprar apenas o essencial e testar aos poucos alguns itens. Mas comprando fora, algumas coisas precisam ser antecipadas, pois o preço muitas vezes BEM mais acessível compensa eventual pouco uso que se faça da peça.

A solução, assim, é pensar BEM antes de começar a escolher os itens. A Carol, do blog Bebê com Estilo, montou um questionário (eu adorei a ideia!) sobre aquilo que você espera do seu carrinho. Vou reproduzir aqui as perguntas que ela fez:
"Para escolher o tipo que será mais apropriado para você, deve-se levar em consideração alguns pontos:
Qual a idade do bebê? Recém nascido ou maior que um ano?
Quanto vc quer pagar?
Você anda mais a pé ou de carro?
Pretende caminhar ou correr com o bebê no carrinho?
Precisa de um carrinho para terrenos regulares ou não, como grama, terra, etc?
Tem mais filhos pequenos? Quer leva-los juntos no mesmo carrinho ou ter um step (um apoio onde a outra criança vai em pé)?
O carrinho tem compatibilidade com o bebê conforto? (altamente recomendável para recém nascidos).
A barra de direção ajusta  a altura?
Qual o tamanho e o peso do carrinho? Não se esqueça de checar e comparar estas informações!
É fácil para fechar e abrir? O ideal é ver na prática.
O assento é reversível? Permite que o bebê vá olhando para a mãe e olhando para a rua?
O assento reclina bem?
Tem espaço embaixo para sacolas/compras?
É fácil de manejar, gira bem?"
Daí imaginemos que a mãe deseja todos os itens postos nas perguntas em um mesmo carrinho... Não encontrará. Aí é que está o problema dos carrinhos. Não existe o carrinho perfeito. Simplesmente o carrinho perfeito para mim pode não ser o perfeito para você. O perfeito para mim pode não ser perfeito para o meu marido, ou até mesmo para o meu bebê, e mesmo achando ele perfeito, posso acabar concluindo que ele não é perfeito para o meu modo de vida.

Ademais, como disse bem a Shirley do blog Macetes de Mãe, em postagem cuja leitura recomendo demais, o problema é que não dá para o fabricante de carrinhos conciliar duas coisas que são totalmente antagônicas: se o carrinho é super confortável, espaçoso, dificilmente será leve.

Como resolver esse dilema?

Priorize. Anote da lista de perguntas aquilo que considera essencial para o seu modo de vida. E acrescente essas: 
  • A partir de que idade da criança você REALMENTE sairá de casa (acredite, é muito difícil sair com eles antes dos 3 meses!)?
  • Você terá pessoas por perto dispostas (as vezes ansiosas) para pegar o bebê no colo?
  • Pretende viajar com o bebê? Viagens de avião ou de carro?
  • Qual é o tamanho do porta-malas do seu carro?
  • Quando você for fechar o carrinho, haverá sempre alguém ao seu lado, ou você acredita que estará algumas vezes sozinha com o bebê?
  • Você já tem um primeiro filho? Ele aceita sentar no carrinho, ou é avesso a ele?
  • Seu filho dormirá no carrinho? Em que momentos? Em casa? Nos passeios?
Quando você descobrir mais ou menos qual é o seu perfil e qual seriam os itens do carrinho que são primordiais ao seu modo de vida e quais você poderia contornar, passe para o item 2.

2. Passeando pelos diferentes modelos e características.


Os carrinhos de bebê parecem uma coisa simples (meu primeiro carrinho, que chamo carinhosamente de "trambolhão", foi comprado pela cor charmosa verde-musgo, porque a vendedora me disse que aquele era o melhor e porque minha amiga comprou um igual...), mas não são. Falar em carrinhos de bebê é entrar em uma série complexa de características e categorias de fazer qualquer mãe de primeira viagem PIRAR.

Excluídas as "subcategorias" (cada fabricante acha belo criar mais uma...), os carrinhos são basicamente divididos em:
  1. Carrinhos de passeio: "guarda-chuva"/Lightweight/Umbrella. É preciso cuidado porque muitos fabricantes de trambolhões chamam seu monstrinhos de carrinhos de "passeio"... Basta estar atento ao peso do produto (eles são bem mais leves) e ao fechamento (chamado "pantográfico", mas eu ficaria atenta a palavra "guarda-chuva", que é a pedra de toque dos carrinhos verdadeiramente de passeio). Muito reclinam bem o assento, mas normalmente o recline faz o peso do carrinho subir... É preciso avaliar bem.
  2. Carrinhos tradicionais ou full size: são as Ferraris dos carrinhos, confortáveis, com bastante recline e acessórios. Normalmente fecham como uma folha de papel sendo "dobrada" ao meio. Normalmente têm muito conforto, mas são pesados e grandes.
  3. Carrinhos Jogging: são a novidade de uns 5 anos para cá. Eles têm 3 rodas, normalmente PNEUS. São carrinhos indicados para terrenos muito acidentados, ou para corridas com o bebê. Muitos não fecham, ou fecham muito mal. A maioria reclina pouco.
  4. Carrinhos duplos ou triplos: normalmente indicados para gêmeos, mas têm sido muito usados por quem tem dois filhos. Já existem carrinhos específicos para mães com filhos em idades diferentes.
Atreladas às categorias temos duas vantagens que são associadas aos carrinhos: os travel systems, que nada mais é do que o carrinho já vendido com o bebê conforto da mesma marca, que pode ser atrelado a ele de diferentes formas. A vantagem de montar um Travel System são duas: 1, o bebê fica mais confortável no bebê conforto nos primeiros meses, e muitos carrinhos não podem ser usados por bebês com menos de 6 meses, normalmente por conta do recline. 2, é bem prático tirar o bebê conforto do carro e simplesmente colocar ele sobre o carrinho, sem precisar soltar o bebê de um deles para prender no outro.

a) Alguns Travel Systems e exemplos de carrinhos mais tradicionais.



Esse é o Graco FastAction Fold Sport Click Connect - parecem ser jogging, mas acredito que seja só esportivo. O fechamento dele é interessante, conforme foto... 


Esse é outro Graco, o FastAction Fold Classic Conect, bem parecido usado como Travel System na terceira foto, e apenas com o bebê conforto nas duas primeiras, em duas posições. Esses carrinhos são vantajosos porque nos primeiros meses, a mãe apenas carrega a estrutura e o bebê conforto, usando o assento do carrinho apenas com o bebê mais velho. Mas antes que seus olhos brilhem, registro que o sistema todo não é leve..
Também o FastAction Fold Classic Conect. Você puxa a alça do assento e o carrinho se desmonta fácil. Isso é bem prático, mas observem como é preciso estar atento: o anúncio diz "lightweight", mas ele pesa 10,5 kg! O sorriso da moça deve ser de força para segurar ele e o bebê...

Esse é o jogging da Graco, o Graco FastAction Fold Jogger Click Connect. 


Ele também funciona como Travel System e a vantagem do ClickConnect é que o bebê conforto é realmente preso ao carrinho pelo sistema LATCH...
O fechamento também é o FastAction Fold. Mas olha o peso:  16,33 kg! Somando-se os 9 kg desse bebê da foto  - haja malhação, hein, mamãe? Santo jogging!

Outra forma de apresentação do carrinho é a estrutura metálica "descolável" do assento, ou até vendida sozinha, para que se encaixe apenas o bebê conforto na estrutura, como variação do Travel System. A vantagem dessa apresentação é que a estrutura sozinha pesa de 5 a 7 kg, e os bebês confortos vão de 3,5 a 6 kg nos EUA. Desse modo, ao invés de levar o bebê conforto (essencial para o transporte do bebê) E o carrinho, leva-se apenas a estrutura. O único senão da estrutura sem assento é o tempo de uso: o bebê conforto é usado apenas até os 12 meses. Mas pode ser uma forma interessante de utilizar, já que depois de um ano o bebê pode ser passado para um carrinho lightweight. As estruturas custam em média 100 a 120 dólares, e um carrinho lightweight para a fase 1 a 3 anos custa entre 50 e 150 dólares.

Estrutura metálica da Graco para bebê conforto: Graco SnugRider Infant.

A versão da Chicco: Chicco Keyfit Caddy

Esse é o carrinho Pliko Switch, da Pég Pérego. A grande vantagem do Pliko é certamente o fechamento, estilo guarda-chuva. É um carrinho bem confortável, quase semelhante aos tradicionais. Na versão Switch do Pliko é possível tirar o assento completamente, e encaixar apenas o bebê conforto. Os carrinhos Pég Pérego são difíceis de serem encontrados nos EUA, mas facilmente na Europa. O carrinho Pliko Switch, com o assento, pesa 12,7 kg, suporta até 20 kg e custa em média 400 dólares.

Se carregar peso, pagar caro ou falta de espaço para guardar o carrinho não são problemas para você, sugiro que olhe muitos carrinhos interessantes que são a "bola da vez" entre as mamães que fazem enxoval fora. Não vou me estender muito neles porque são muitos reviews sobre eles em outros blogs, basta procurar... Esses são os principais carrinhos tradicionais procurados pelas mães brasileiras nos EUA, hoje, além dos que já citei acima:



Esse é o modular system do Pliko Switch. É simplesmente um sonho de consumo! Custa 1.000 dólares o system completo ou 2.500 reais no Brasil. É preciso saber onde guardar todos os acessórios enquanto não estiver usando. Fora isso, é sempre um espetáculo ver esse vídeo...!

Esse é o Orbit Baby G2. Outro espetáculo da tecnologia! O carrinho completo, com o bebê conforto da mesma marca custa 1.218 dólares na Toys. Segundo o site o bebê conforto sem a base pesa 7 kg segundo o site da Toys e 9 segundo o Amazon., e o carrinho, 11.8 kg.


O famoso Quinny Buzz, o preferido das mães que vão fazer enxoval em Miami! Ele dobra mal, mas tem uma cobertura bem macia. Custa 549 dólares, pesa 12,25 kg e suporta até 22 kg. É compatível com todos os bebê confortos da Maxi Cosi, assim como todos os carrinhos Quinny.


Book, da Peg Pérego. Essa versão não tem a vantagem do fechamento pantográfico como o Pliko, mas parece ser mais confortável. Tem também a versão Plus, bem parecida com o Pliko Switch, compatível com o moisés Navetta e com o bebê conforto. Não consigo postar o vídeo do Plus, mas é só assistir clicando aqui.  O Plus custa 500 dólares e o Book comum custa 400, na Toys. O Book tem 9 kg e suporta até 25 kg, e a versão Plus pesa 10 kg, suportando até 22 kg.


O Strokke Xplory é a menina da vez depois do Quinny Buzz. Ele tem uma característica fantástica, a altura: se você encostar o carrinho em uma mesa, a criança fica na altura correta. Ele parece um lightweight, mas pesa 12,3 kg, suportando até 20 kg.

b) Os carrinhos-passeio ou Lightweight.



Dentre os carrinhos de passeio as opções são muitas. Vou apenas listar o que deve ser observado neles ao comprá-los:
  • Sempre olhe o peso do carrinho. Ainda que se apresente como passeio ou lightweight, muitos pesam o mesmo que os tradicionais! Fique de olho na descrição do produto ou na caixa/manual.
  • É sempre bom ter uma "capota" (canoply) grande, mas a maioria deles não têm. Se o modelo que você gostou tiver a cobertura curta, recomendo comprar uma "sunshade" ou "rayshade", que é uma cobertura pro sol. Leva-se no cesto do carrinho e tudo bem.
  • O que o carrinho de passeio não tem pode ser recuperado com acessórios avulsos.
  • SEMPRE adote o fechamento pantográfico "guarda-chuva" nos carrinhos de passeio. Esse carrinho deve lhe acompanhar por mais tempo, e a praticidade dele é tudo. Depois que as crianças andam, eles querem alternar entre o carrinho e caminhadas, e eventualmente você precisará carregar o carrinho por um tempo.
  • Outra coisa a observar é até que idade seu filho usará. Alguns carrinhos suportam até 30 kg, enquanto outros, mesmo indicando 15 kg, ficam apertados mais rápido. Se comprar pela internet, olhe fotos de consumidores; se for comprar na loja, peça ao filho de um cliente para sentar nele.
Os carrinhos leves eu ainda divido em: MUITO leves e leves. Os muito leves têm 5 kg ou menos, mas normalmente não reclinam ou reclinam pouco. Os leves têm entre 6 e 8 kg e reclinam bem.
Dentre os 
Esse é o Chicco Liteway, um carrinho que selecionei dentre os muitos de passeio existentes com 5 posições de recline.  Como podem ver, tem bom recline, pesa 6,8 kg, suporta crianças até 18 kg, e fecha como um guarda-chuva. Custa 140 dólares nos EUA. 
Chicco Liteway Plus: excelente ideia! A versão PLUS, lançada a pouco tempo, tem o mesmo peso, mas vem com um sistema para adaptar o bebê conforto Chicco a ele, transformando-se em um travel system com carrinho lightweight! Custa 180 dólares.

O MacLaren Quest é muito bem recebido. É uma versão melhorada do carrinho do Heitor, que adoro. Tem 4 posições de recline, as laterais fechadas, e um bom cesto porta-objetos. Pesa 6 kg e suporta até 35 kg. Custa de 240 a 270 dólares.

Esse é o primo pobre do Wuinny Buzz, o Quinny Zapp Xtra. A cobertura é de lona, mais grosseira do que o Buzz, mas ele pesa 5 kg e suporta até 22 kg. Custa 350 dólares no Amazon. É preciso estar atento para não comprar uma versão mais antiga, porque nos antigos Zapp Xtra era preciso retirar o assento antes de dobrar a estrutura. Bem mais difícil.

Esse é um carrinho muito bom e muito pouco conhecido. É representado pela  Graco e por isso é compatível com os bebês conforto Graco, formando também o travel system. Pesa 7 kg, fecha pantograficamente e suporta crianças de até 30 kg (não, eu não digitei errado...)! Custa entre 137 a 199 dólares.

Outras opções excelentes existem. Esses são apenas exemplos de bons carrinhos.

Já dentre os carrinhos muito leves que podem ser comprados nos EUA, há infinitas opções. Claro que o ideal é buscar aquele que tem 2 ou 3 posições de recline, alguma proteção pro sol e material resistente.

Uns exemplos de carrinhos muito leves que achei lá são aqueles vendidos na loja Toys'r'us:

Compramos esse carrinho na Toys por puro desespero. Estávamos em NY, e o carrinho do Benício estava em Connecticut. O Heitor se recusava a andar, cansado, e a cota não permitia que levássemos dois carrinhos para o Brasil. Então compramos esse por 19 dólares, apenas para usar na viagem. Ele pesava 3,7 kg, e nos surpreendeu! Suporta crianças de até 15 kg...

Aqui está o Heitor dormindo no carrinho recém adquirido dentro da Toys!  Ele até tirou uma soneca, como podem ver...  O grande defeito dele é a ALTURA: eu tenho 1,71 e minha coluna pediu arrego em todos os passeios... Se o casal for muito alto, esse ponto é relevante! O carrinho baixo fica muito desconfortável para quem conduz...

"The Heavenly Stroller" - resolve o problema dos papais altos. É básico, pesa só  3,5 kg, suporta até 18 kg, e custa 40 dólares. 

Esse é um lightweight que faz jus ao nome!! Chama-se Quicksmart Backpack Stroller, tem uma posição de recline, pesa exatos 5 kg, e a melhor parte: 

Fechado, transforma-se em uma mochila...! Agora consigo acreditar no sorriso da mãe! Suporta até 20 kg, e custa 170 dólares.

c) Acessórios complementares.

Alguns acessórios ajudam a tornar os carrinhos de passeio mais funcionais, completando o que lhes falta em comparação com os tradicionais...
Essa "Rayshade" é da Summer e custa 14 dólares. É maleável, fácil de montar  e pode ser colocada apenas de um lado, ou de frente, dependendo de como bate o sol...

Esse é o "The Mommy Hook".Simplesmente um gancho que ajuda a mamãe  a pendurar todas  as suas tralhas no carrinho... Custa 7 dólares.

Isso é o J.L. Childress Cool 'N Cargo, uma bolsa com "cooler" para carrinhos. No Amazon,  20 dólares.

Organizador para carrinhos da Munchkin. Usamos um desses  e adoramos!  Na Toys'r'us, por 15 dólares.

Stretch Umbrella Stroller Storage, da Infantino.


d) Carrinhos duplos.

Não me sinto muito apta para opinar sobre carros duplos... Na verdade posso dizer que existem duas opções para gêmeos: comprar os carrinhos duplos ou comprar dois carrinhos e conectores de carrinhos, como os da Prince Lionheart e da Munchkin. Caso opte por comprar os conectores, registro que muitas mães de gêmeos me disseram que os dois carrinhos unidos não passam em portas normais, precisando desconectar sempre que for passar por elas. Também disseram que os carrinhos devem ter o mesmo estilo, e que em alguns modelos de carrinho as rodas deles ficam se chocando.

Existem muitos modelos de carrinhos de gêmeos, tanto com fechamento pantográfico como com fechamento "origami" (dobrando-se). Desses, ainda, há aqueles em que as cadeiras ficam lado a lado e aqueles em que elas ficam uma atrás da outra (ou uma de frente para a outra).

Vou fazer duas sugestões de carrinhos que conheço, muito usados por mães de dois:

O Aria Twin da Peg Pérego tem 9 kg, faz travel system com o bebê conforto, reclina bem e tem fechamento pantográfico.

O Twin Techno da Maclaren (também conhecido como o carrinho de Brangelina), reclina muito bem e tem um excelente fechamento.
Apesar de tecnicamente não ser um carrinho duplo, falarei aqui também dos carrinhos com assento para uma criança mais velha: nós adquirimos um quando Ben nasceu, e adoramos nosso trambolhão! Ele não tem fechamento guarda-chuva, mas não é muito pesado (9,5 kg) e abre e fecha MUITO fácil! Para terem uma ideia, acho mais fácil abrir e fechar ele do que o carrinho "guarda-chuva" levinho, porque as travas dele são bem acessíveis. Dentro da cidade, ele é o nosso carrinho, e se viajássemos menos provavelmente seria só esse:

O porta-objetos dele é gigantesco, com acesso para ele dos dois lados. A criança maior pode ir sentada ou em pé, com apoio para segurar e cinto de segurança de 3 pontos. A mais nova tem cinto de 5 pontos, e 3 posições de recline (mas a terceira só pode ser usada se o mais velho for de pé).

Antes de completar 6 meses, o mais novo deve ir no bebê conforto. O Joovy Ultralight é compatível com a maioria dos bebê confortos, porque seu adaptador é universal (esse cinto vermelho e um adaptador especial que fica no lugar da bandejinha). O assento do mais velho pode ser usado a partir dos 2 anos e meio. O assento da frente vai dos 6 meses  até os 20 kg.

3. Minha experiência.


Como eu disse no início, foram 5 carrinhos, sem contar o "descartável" da Toys'r'us. Ficamos muito sozinhos com as crianças, de modo que temos que "arriar" os meninos o tempo todo em algum lugar.

Nosso primeiro carinho foi um Burigotto Space. Ele não é muito pesado (7,6 kg, mais ou menos), mas tem um fechamento péssimo, é grande mesmo fechado e sempre trava na hora de fechar. Usamos bastante até Heitor fazer 6 meses, mas viajar com ele era inviável. Admito que comprei ele apenas porque a minha amiga comprou dele também, e ambas compramos apenas porque a vendedora disse que era o mais leve. sem pesquisas, sem noção. Custou 460 com desconto.

Depois que Heitor fez seis meses, comprei um MacLaren de passeio, também em liquidação, por 420 reais. Já tinha mais experiência, então observei o limite de peso dele (25 kg), o conforto (ele tem as laterais, que é uma coisa boa para dormir), a cobertura (bem grandinha para um passeio) e o peso, pois usaríamos em viagens de avião (ele pesa 5 kg) e o recline (tem 2 posições). Não vou mentir, também simpatizei com o nome dele (Daytripper, como a música dos Beatles!)...

O problema é que Heitor era muito novo para se sentir a vontade dormindo sentado. Ele dormia no colo, mas acordava quando colocávamos ele ali. Depois que ele fez um ano, a coisa melhorou, pois ele já dormia, bem, de qualquer jeito. Até hoje ele cochila tranquilo no MacLaren, e foi o conforto dele para "meninos grandes" e as dificuldades dele para bebês que nos fez manter ele como o carrinho do Heitor.

Ao decidir o carrinho do Benício, as opções eram muitas, como podem ver pelo tamanho do post atualmente. O carrinho Burigotto não estava mais conosco, então precisávamos de algo para o início. Foi quando vi uma mãe com um bebê de 15 dias em um carrinho ultraleve, parecido com um de boneca! Perguntei e anotei o nome e quando o achei em oferta, comprei: Linea Voyage. Pesa 3,6 kg. É frágil, mas também não cabem nele por tempo suficiente para estragar. Custou R$ 89,00. Foi a salvação dos primeiros meses, para dormir do lado da cama da mamãe, e na viagem de avião de volta para casa, com 40 dias de vida!

Na viagem pros EUA, nos encantamos com o Joovy Caboose Ultralight, que está sendo super útil dentro da cidade e em casa, quando precisamos estar sozinhos com os dois. A única dificuldade dele é mesmo o porta-malas. Acho que precisaríamos de dois táxis para chegar e voltar para o aeroporto com ele.


Ben, com 1 mês, e Miguel, com 4, usando os carrinhos Linea da Voyage.

Depois compramos esse colchãozinho, que fazia com que ele não ficasse muito  socado no fundo do carrinho.... Da Bebê Produtos, a venda na Expressinho do Bebê.

Com cinco meses ele não cabia mais no carrinho Linea. Ele tinha cumprido seu papel, então compramos agora um Infanti Sunny, por R$ 350,00 no Walmart. 5 posições de recline, suporta até 18 kg e pesa 7 kg.

Fazendo a pesquisa para esse último carrinho-passeio de Ben, percebi o seguinte: é possível comprar carrinhos no Brasil por preços similares aos dos EUA, e eles vão bem. Não são os Quinny os Bugabee, mas são confortáveis e bonitos.

Minha primeira ideia era ter tudo que o MacLaren tem, mais algumas posições de recline. Esse carrinho existe, é o MacLaren Quest. Como é bem mais caro no Brasil (custa de 900 a 1.000 reais no Brasil), optei pelo Infanti. Ainda não chegou, então depois eu conto como ele é!

Quando as pessoas se chocam com o fato de Ben ter tido 3 carrinhos, eu faço a soma: 460 reais pelo Joovy + 89 do Linea + 350 do Infanti = 899 reais. Ainda é mais barato do que comprar qualquer um daqueles super carrinhos de Miami, e podemos parcelar, e adquirir um carrinho adequado à cada fase e à cada situação... Para nós que viajamos muito com eles, isso é muito bom. 

4. Vale a pena?


Depende. Se você não tivesse indo, iria comprar um carrinho no valor do escolhido? As vezes na festa do enxoval americano, compramos muita coisa que não compraríamos se estivéssemos comprando aqui. E aí o barato sai caro e a economia é relativa...

Depende também da bagagem. Quando você fizer a lista, se o carrinho for prioridade na bagagem, você pode deixar de trazer um item cuja economia é certa (por exemplo, os ginásios musicais e tapetes tipo "mats", que custam MUITO mais no Brasil e não tem similares nacionais...). Pagar a caixa do carrinho por fora custa mais 200 reais pela caixa, a depender da companhia aérea. É preciso avaliar bem.

O meu carrinho entrou na cota de Heitor, não contou como bagagem nossa. Aproveitei para trazer algo que sabia que ia me ajudar e que não encontraria por aqui. E fiquei feliz.

No final, isso é o importante. Você e o bebê ficarem felizes e confortáveis. Pouco importa se o carrinho comprado é a Ferrari ou o Volvo dos carrinhos. Selecione, anote as características, para não acabar com um objeto que não pode ser guardado em lugar nenhum da sua casa, ou pesado demais para que você possa usar sem acabar na fisioterapia. De resto, confie nos seus instintos, confie na vozinha que fala no seus ouvidos que o carrinhos daquele bebê é aquele. Não existe carrinho perfeito, você não estará perfeitamente satisfeita. Mas o carrinho é certamente o item mais presente nas nossas vidas, quando bem escolhido!
E eu, de coração, espero ter ajudado um pouquinho para essa escolha feliz!
Desejo muitos passeios felizes e um DOCE DIAS DAS MÃES!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Enxoval nos EUA X no Brasil

PARTE I: carregadores, cangurus, slings e afins!


Inicialmente a intenção era fazer apenas UMA postagem, um pequeno guia com dicas para quem vai fazer seu enxoval nos Estados Unidos...

Não deu.

Dividi (por enquanto) a postagem em três partes, e vou tentar publicar as três partes durante essa semana... Ao invés de começar do grosso, decidi começar pelas "pequenas coisinhas complicadas", como o carregador do bebê ou o carrinho. O carrinho será o próximo (não percam!!!).

1. O primeiro filho e seus carregadores Brazucas...


Adoro carregadores, por dois motivos: 1, porque sou agitada e preciso das minhas mãos o tempo todo e 2, porque não tenho muitos parentes e auxiliares por perto para segurar o bebê "um pouquinho"...

Meu primeiro carregador foi o "canguru-mais-barato". Era um canguru cruzado nas costas, utilizável, segundo o fabricante, até os 12 meses (ou seja, 9 kg).
Além de não ter apoio na cintura, na região lombar, o canguru é muito baixo...

Porque ele não deu certo: primeiro, ele apoiava-se nos meus ombros e entre as omoplatas, mas não tinha apoio na cintura. Com isso, depois de um tempo ele começou a forçar a minha já castigada lombar. Além disso, os tais 9 kg é atingido pela maioria das crianças BEM antes dos 12 meses, e mesmo o Heitor, que atingiu exatamente aos 11 meses, já não cabia naquela pequena estrutura.

Antes que ele quebrasse a minha coluna ao meio, comprei um sling... A minha experiência foi maravilhosa com o sling, ainda que eu, admito, não soubesse muito usá-lo nos primeiros meses...

Nesse post, falei sobre a experiência de Heitor com o sling!
Esse sling de tecido é o ideal para os primeiros meses, pois o tecido é firme para apoiar bem a coluna. Eu achei incômodo usar no calor... Torrávamos os dois.

Por isso, quando ele ficou maiorzinho, comprei o sling de malha. Ele não serve, na minha opinião, para os primeiros meses (a malha estica, e a cabeça do bebê não fica bem firme), mas se o pescoço já está firme, é bem mais fresco!

Com um ano!
O sling tem três grandes vantagens: a primeira é que são muitas possíveis posições, todas igualmente gostosas; a segunda é que ele, usado corretamente, não força a bacia do bebê, deixando-o na posição ideal,  com as pernas dobradinhas como uma rã, favorecendo o desenvolvimento das articulações dos quadris. A terceira é que, a depender da estatura e peso da criança, pode ser usado até os três anos!

Importante ressaltar que as argolas deve ser feitas de material super resistente, como alumínio ou inox, para suportar bem o peso do bebê.

A única desvantagem do sling é o peso em um dos ombros. Força um pouco.

E esses eram os carregadores de Heitor, todos comprados no Brasil! Chegamos agora ao nosso enxoval comprado nos EUA.

2. Enxoval de Ben em NY: escolhendo um carregador para uma lombar em frangalhos...


A verdade é que a coluna da mãe de segunda viagem é sofrida... Depois de carregar o peso daquela criança por 2, 3 anos, muitas vezes grávida (oooh, quero encontrar a MÃE que negou colo para o primogênito com a frase "desculpe, filho, recomendações médicas!), você está escaldada: não fará mais economia com a sua coluna querida!

Sob essa máxima, corri para comprar o melhor e mais caro canguru que encontrei na Big Apple: O Miracle, da Babyjorn. Esse vídeo me ganhou completamente:




Ele deu super certo por um tempo. Depois Ben começou a reclamar, passamos ele para a posição "de frente" e ele voltou a amar...

Ele dormiu bastante no canguru aguardando o voo e a conexão.
Essa é a atual posição favorita dele no canguru!
 Muitas críticas são feitas à essa posição "de frente" - porque o ideal é que a coluna do bebê fique curva, como um C, e não ereta, evitando estímulos diretos às coluna. Tenho evitado usar assim por conta disso.

O Sling de Heitor foi bem herdado, também.


Essa é a nossa experiência. Como mesmo uma mãe viciada no Google ERRA, vou dizer quais os carregadores que HOJE acredito serem os mais indicados.

Não me entendam mal, ADORO esses carregadores e super recomendo eles. Mas há outros carregadores com outras características que podem ser mais adequados à situação de cada mãe. Vamos a eles.

3. Bons carregadores para comprar nos EUA.


Pesquisando um carregador que tivesse características semelhantes para uma amiga, encontrei esse da Infantino, que parece ter vantagens em relação ao meu Babyjorn:

Infantino Flip Front 2 Back Carrier, disponível no Amazon.
Achei esse canguru com um preço ótimo (U$ 23,99 no Amazon), e vai de 3.6 a 14.5 kg (uma criança de 3 anos costuma ter esse peso!). Ele tem as três posições (nas costas dos pais, na frente dos pais virado de costas e de frente). Além disso ele tem o apoio na cintura, para suporte da lombar.
Infantino Union Ergonomic Carrier, também disponível no Amazon.

Esse canguru da Infantino acima custa menos de 30 dólares e lembra um Mei Tai, que é um carregador tipicamente oriental. Ele tem duas posições (na sua frente e nas suas costas), e a melhor parte: vai de 3.6 a 18.14 kg!! Pode levar seu grandão feito mochila! Mas a maior vantagem dele é que as costas do bebê permanecem curvas, conforme recomendação médica. Da mesma forma, as pernas ficam abertinhas, na posição de rã.

Essa opção é muito usada, e muito recomendada nos EUA e nos mochileiros em geral. A marca é ERGOBABY, e apesar de ser mais caro, não encontrei um usuário insatisfeito!

ERGObaby  Original Baby Carrier. No Amazon.

Vai de 3 a 18 kg - até os 3 ou 4 anos da criança... É leve e tem um bom apoio na cabeça, diferente do Infantino. Tem um acessório que deixa a parte interna mais quentinha e acolhedora, esse acessório aqui.

Se eu tivesse que arriscar hoje, arriscaria no Ergobaby ao invés do Infantino. Só pelo apoio do pescoço, já que usei com o Ben desde muito cedo (viajamos de volta quando ele tinha só 40 dias). Também levo muito em consideração os reviews nos sites americanos, e achei válido um comentário no Amazon (Ariel Meadow Stallings) em que o consumidor dizia mais ou menos assim: que o Infantino não é tão confortável quanto o Ergo, não é tão ajustável (conta de um amigo alto que estava frustrado porque a faixa da cintura ficava acima dos seus quadris, deixando todo o peso da criança nos seus ombros), e  considera que apesar do tecido sintético ser mais fácil de limpar, não é tão bonito nem macio contra a pele do bebê. E termina: "A Ergo é uma indústria líder por uma razão". É para pensar...

Há também diversos carregadores adequados APENAS para meninos mais velhos, de 1 a 3 anos... Mas vou guardar esse para a futura postagem sobre o que comprar para os filhos "toddler" nos EUA (Aguardem!).

Não posso deixar de mostrar e falar sobre esse carregador aqui:
Chicco Smart Support Backpack, na Amazon.

Bom, ele tem "apenas" 3.18 kg, carrega crianças até 43.5 kg (isso mesmo!), tem proteção contra chuva, excelente apoio lombar.

Por outro lado, pesquisei muitas fotos dele e não encontrei nenhuma que mostrasse ele menor do que isso. Ou ele não fecha, ou não faz tanta diferença quando fecha..

Para MIM, em especial, não faria sentido adquirir um carregador assim. Eu precisava de algo leve e dobrável, que pudesse ser levado no carro, na mala e até na bolsa. Fácil de vestir, rápido de colocar o bebê e que só precisasse de uma pessoa para por a criança ali.

Por outro lado: mochileiros e trilheiros... Esse é o seu carregador de bebês ideal! 

Eu falei das vantagens do Sling e do Mei Tai, mas não detalhei muito sobre adquiri-los nos EUA. Explico no item seguinte.

4. Vale a pena?


A verdade é que ainda sou fã de carteirinha dos slings, wraps e mei tais. Não recomendo comprá-los nos Estados Unidos, apenas porque costumam ser mais caros que os brazucas - e olha que minha pesquisa foi feita nos sites mais recomendados! O Wrap no Amazon está em média 40 a 50 dólares; o Mei Tai, sai por 90 dólares.

Para conhecer e comprar o Mei Tai, o Wrap (que tem a vantagem sobre o sling de distribuir o peso nos dois ombros...) ou o Sling, recomendo o Sampa Sling, clicando aqui.

O meu Sling de malha é da Fibrasca. É vendido em diversas lojas. Fica entre 50 e 70 reais. O de tecido custou 65 reais, em uma liquidação.

 Minha dica é: se você vai viajar para fazer o seu enxoval, e sabe (como eu sabia) que vai precisar de um carregador, avalie a possibilidade de trazer um canguru. Eles, sim, são mais caros no Brasil do que lá fora, e por isso valem a compra. Caso tenha decidido usar os carregadores de tecido ou malha, pode aguardar o bebê nascer e escolher aquele que possivelmente ficará mais adequado à sua rotina e ao temperamento do seu bebê.

Para saber se vale a pena ter esse item, seja trazido de fora ou comprado aqui, primeiro é preciso imaginar qual será a rotina com o bebê: vou precisar sair com ele antes dos 3 meses? Precisaremos viajar? Farei supermercado sozinha com o bebê? Passeios ao ar livre sem o carrinho? Precisarei de um carregador depois dos 9 meses? E dos 12 meses?

Leia bem a descrição de cada carregador e o que dizem as pessoas que usam. Não desista nos primeiros usos, pois todos têm um período de adaptação!

Caso opte por comprar algum carregador fora, lembre-se que nem sempre é possível encontrar AQUELE que você pesquisou nas lojas. Assim, compre com antecedência em sites americanos como Amazon e Target, entregue no hotel e solicite que eles guardem o item (isso é comum em muitos hotéis americanos).

Assim que recebê-lo, coloque no seu corpo e tente testá-lo com algo pesado (li em algum lugar uma sugestão de testar com um saco de alimento de 5 kg, é uma ótima ideia!), imaginando o bebê ali. Foi assim que eu descobri que o carregador que comprei não apoiava bem o pescoço, e acabei trocando pelo outro. Deu tempo!

Finalmente, digo a vocês que não há coisa mais gostosa no mundo do que carregar seu filho colado ao seu corpo, como se estivesse de volta dentro de você. Carregadores não machucam o bebê, e quando bem ajustados ao seu corpo e ao dele, são bastante confortáveis. Lembrem-se, foi assim que vocês andaram por nove meses. E matar essa saudade, não tem preço...

Em breve, falando sobre carrinhos de bebê: no Brasil e nos EUA.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Por um mundo mais (verdadeiramente) Child-Friendly!!




O conceito anda na moda. Diversos restaurantes, hotéis, resorts e até cidades inteiras se estruturam para receber melhor as famílias com crianças, da melhor forma possível.

"Child-Friendly" significa, em bom português, "simpáticos às crianças". São ambientes onde seus filhos não serão recebidos com muxoxos, não se sentirão estrangeiros em uma terra de gigantes, onde a mesa é alta demais, a comida, esquisita demais, as brincadeiras precisam ser inventadas e nunca são bem recebidas.

Não me entendam mal: eu simplesmente AMO a ideia. Adoro ambientes Child-Friendly. É muito bom ver seu filho ser recebido com um sorriso do maître, sentar em uma cadeira adequada e receber atividades para distrair-se enquanto sua refeição especial não vem. Papinhas no Menu, refeições na porção certa, locais para a criança brincar enquanto espera a refeição ou a conta.
Banheiro adaptado para crianças - é o que há!

É um mundo enorme que se abre. Além dos restaurantes, hotéis oferecem brinquedotecas, berços nos quartos, baby-sitters e até "copas do bebê", ambientes equipados com geladeira, fogão, microondas e pia para preparação de fórmulas ou papinhas.

Local infantil de uma livraria em Gramado. As crianças, comportadas e compenetradas...
Mesinha de desenhos em café em pleno shopping de Caxias do Sul.
A refeição infantil veio com carinha feliz!
Copa do Bebê e Brinquedoteca do Hotel Villa Bella em Gramado: Baby Sitter, Vídeo Game, piscina de bolinhas, berços e camas.

Deveriam estar em todos os aeroportos! Infelizmente, a Infraero parece não pensar assim...

Atualmente, diversos eventos tipicamente "adultos" são realizados especificamente para serem frequentados por pais com filhos. Assim é o CineMaterna, com sessões de cinema gratuitas para gestantes e mães com filhos até 18 meses, com luz suave, volume reduzido e trocador; o Sambebê, que promove shows em ambientes especialmente montados para inclusão de crianças e bebês, com som mais baixo, brinquedos e tapetes especiais; o Barulhinho do Bem, em Porto Alegre, que faz happy hours musicais com boa música adulta em som adequado às crianças, ambiente lúdico e alimentação especial para os pequenos. Cada iniciativa dessa me comove, me alegra - pois não é porque dois adultos têm filhos e decidem estar com eles em suas horas vagas disponíveis que não sentem também vontade de interagir com outros adultos, ouvir boa música, ver um bom filme.

Com o fim da era das "babás em tempo integral", esses ambientes devem ser cada vez mais bem vindos.

Por outro lado, toda essa inclusão também gera alguns narizes torcidos. Em NY, alguns bares que servem "a cervejinha do fim de tarde" abriram seus ambientes para pessoas com filhos e criaram a polêmica, como nos contou no início do ano o blog "Have a Nice Beer". Desde que li esta postagem, em especial, algo vem me incomodando...

Sempre odiei as piadinhas onde os "paladinos da justiça para os filhos alheios" insinuam que nós, mães, colocamos nossos filhos em situações que os igualam aos cachorros quando os colocamos em cintos de retenção (de coleira não tem nada, pois não está amarrado no pescoço da criança... Ou quando você faz RAPEL, coloca a coleira na cintura para não cair...?), ou quando os "treinamos" para o desfralde e para que se comportem de determinada forma...

Apesar de achar que cachorros devem ser MUITO bem tratados, e de ignorar sem dó esse tipo de insinuação, me perguntei, dentro do contexto, se esses ambientes "Child-Friendly" não poderiam ser mal interpretados como se "seres humanos adultos" estivessem "permitindo" que crianças acessem os ambientes pré-selecionados? Como os ambientes "Pet-Friendly"?

Apesar de saber que os ambientes "Child-Friendly" se vendem assim apenas para oferecer o conforto extra aos pais com filhos, e nem de longe desejar desmotivá-los a assim proceder, o movimento de inclusão gerou a contrapartida: deixou outros ambientes à vontade para se permitirem ser "Child-Unfriendly"! REALLY!

:O

Créditos: www.sodahead.com

Excluídos os ambientes que verdadeiramente não possam ser frequentados por crianças, porque são inadequados ao seu desenvolvimento, não vejo porque TODOS os demais ambientes não se prestam a receber crianças. São seres humanos, consomem, vivem em sociedade, e necessitam da interação social para se desenvolverem! Ou não é o que diz a nossa Constituição Federal?

Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Mais uma vez, não vamos desvalorizar os ambientes receptivos às famílias: eles são os bons moços. Estão fazendo o certo, e o melhor, lucrando com isso. Ao custo de um trocador, alguns cadeirões, um prato servido em menor porção, alguns gizes de cera, papel e um sorriso amigável.

O outro lado, todavia, os ambientes "proibidos para crianças", mandam as crianças para "debaixo do banco", juntas ao "cachorro e ao tamanco", como dizia o antigo ditado. Agora, sim, caros "paladinos da justiça para os filhos alheios", e não ao pormos em nossos filhos o dispositivo de segurança, as crianças estão sendo tratadas como pets!

As justificativas são belas: pretendemos criar um ambiente romântico aos hóspedes, não estamos adaptados à receber crianças... Hotéis, restaurantes, todos com a placa virtual em riste: NO PETS/NO CHILDREN.

Quando eu era criança, li um livro infantil sobre o Apartheid. Falava sobre um garoto brasileiro negro que ganhava uma viagem para a África do Sul, e era então informado sobre os ônibus divididos ao meio, bancos de praça divididos e estabelecimentos divididos. Choquei. Pensei: "como eles podem achar isso normal?". Toda segregação começa com um sofisma. Uma explicação distorcida, mas persuasiva e com aparentes boas intenções. Porque não justificar o Apartheid argumentando que os negros "se sentiriam mais a vontade" em um ambiente só seu..? É assim que começa a intolerância.

Gostei muito do que disse a Loisiana, citada pela Lola do blog "Escreva Lola Escreva". Será que o próximo passo será proibir-se idosos em determinados locais, para manter o ambiente mais "fresquinho"? Assim como os filhos dela, os meus são super comportados. Têm seus maus momentos, mas normalmente os contornamos rapidamente.

Meus filhos nunca fizeram confusão aos berros para não colocar a poltrona na posição vertical, como vi um adulto sem filhos fazer; nunca tiraram os sapatos com chulé durante o voo, o que infelizmente, vi fazer um outro ser supostamente crescido. As suas fraldas sempre foram trocadas no banheiro, e nunca incomodaram os outros passageiros. Heitor ouve seu DVD com fones apropriados, ou sem o áudio; come quietinho, não corre pelo restaurante; não conversa alto atrapalhando as outras mesas, não fala alto no celular, não joga água nos outros quando está na piscina. Meus filhos não jogam lixo no chão e mesmo jogando alguma comida no chão, têm uma mãe que cata seus restos com um lencinho umedecido.

Apesar de ainda estarem aprendendo, muitas crianças encontram-se em estágio de desenvolvimento muito mais avançado do que diversos adultos que conheço.

Acho que ficou claro: há crianças e adultos inconvenientes e mal educados. Infelizmente, até certos limites, teremos que tolerá-los em lugares públicos. É assim que valorizamos o direito fundamental à liberdade no nosso país.

Meus filhos foram concebidos em meio a muito romance. Ao lado deles, todos ficamos amorosos, porque eles despertam amor. Só consigo pensar que olhar para meus bonecos deixariam muitos casais com vontade de correr para seus quartos... Para treinar. Quem sabe com muito romance e amor consigam fazer meninos tão inspiradores...!

Citarei um trecho do post no Escreva Lola Escreva que diz exatamente o que senti:

"Vejo que a PEDOFOBIA vem crescendo muito e fico bastante assustada. Afinal, a pedofobia deve ser tão combatida como qualquer outro tipo de intolerância. (...) Crianças são aprendizes da vida... Puxa! Quem é que não tolera alguém que ainda está aprendendo a conviver?"

Crianças, como diz a nossa Constituição Federal, necessitam da convivência comunitária para se desenvolver. Crianças têm DIREITO a serem tratadas com dignidade, a não serem discriminadas. Crianças têm "a condição peculiar" de "pessoas em desenvolvimento". Têm garantidos "por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade", diz o Estatuto da Criança e do Adolescente Brasileiro.

Desenvolver-se implica em passear, andar por vias públicas, ir ao supermercado, ver adultos de todos os gêneros e personalidades, assistir a vida passando, os carros passando; atravessar a faixa de pedestres e aprender a olhar para os dois lados, descobrir que a mãe dá ao padeiro o "papel-dinheiro" em troca do pão. Significa aprender a pegar com o garfo, saber sentar-se à mesa, pedir com educação sua refeição ao garçom. Para se desenvolver, a criança necessita conhecer outros lugares, culturas, línguas.

A criança pode ser retida por um cinto atado a seu corpo para que não sofra acidentes até que se desenvolva o suficiente para compreender as regras do trânsito; mas não pode ser barrada em um local onde não há conteúdo impróprio para seu desenvolvimento, SOB QUALQUER PRETEXTO. Que se doam os infelizes com sua alegria, sua inexperiência no trato social e sua sinceridade cortante; os angustiados com a sua capacidade de fazer da cadeira giratória um motivo para girar; aqueles que se esqueceram que um dia também foram crianças.

Apenas para anuviar os meus ânimos, que, admito, estão exaltados, e deixar o texto mais soft... Sempre policiei o tom de voz do Heitor quando a sua felicidade é extrema. Ele grita empolgado na frente da TV, e eu digo: "fale mais baixo, filho, não acorde seu irmão"...

Hoje eu e o pai dele conversávamos, cada um em um cômodo, em altas vozes, quando de repente ouvimos o indignado  rapaz no meio da sala dizer: "Mamãe, Papai, fala baaaixo!!"

Hotéis "românticos", restaurantes "adultos"... Azar o de vocês. Perderam um cliente exemplar. Boa sorte com sua clientela "gente grande"!


segunda-feira, 15 de abril de 2013

Criando filhos sem babás.

Cena do filme Não Sei Como Ela Consegue, com a Sarah Jessica Parker, sobre a louca e linda rotina de uma mãe "malabarista". Foto: Divulgação.

Bom, a aprovação do Projeto de Emenda Constitucional que deu às empregadas domésticas novos direitos é, certamente, a centelha que acendeu em mim a vontade de escrever esse post, mas não foi o motivo de, hoje, eu não ter uma babá.

Sim. Eu não tenho absolutamente nenhuma babá. Morando a 5.000 km da família. E sobrevivo.

Dar detalhes de como passei da super assistência de Vivi, a primeira babá de Heitor, para "ninguém" demandaria contar uma história muito longa. A verdade é que não é NADA fácil achar uma boa profissional, que assegure o bem-estar do seu filho na sua ausência, zele pelo desenvolvimento dele, higienize tudo que precisa ser higienizado e respeite suas diretrizes e as regras da casa.

Fui gradativamente me armando de estratégias para prescindir cada vez mais das babás, já que as "febres de cinco dias" e "viagens urgentes sem motivo informado" delas costumavam me deixar sem braços e pernas. Hoje, lido bem com a falta de uma babá, e tentei enumerar, ilustradamente, como fiz isso. Minhas dicas não implicam necessariamente em dispensar a babá, mas em viver bem com seu filho apesar delas, em viagens, no fim de semana e afins!

1. Modifique as rotinas.

Você leva a babá ao shopping? Ao restaurante? Ela coloca seu filho para dormir? Substitua a rotina atual por novos rituais. Acredite, você apenas se habituou a fazer as coisas de um jeito, e seus filhos também. Mudar os hábitos vai criar stress por algum tempo - afinal, eles estavam acostumados a fazer as coisas de um jeito - mas eles acabam se adaptando. Mesmo que sejam pequenos, explique a eles com calma que agora as coisas serão diferentes, e peça que eles lhe ajudem. Aos poucos, as coisas se assentam.

Eu saio bastante com os meninos, porque viajo muito e não tenho parentes na cidade em que moro. Fazemos supermercado juntos, vamos a lojas e consultórios. Aprendi a respeitar o fato de que são crianças (choram, sentem cansaço, querem correr e brincar), e administro isso não abusando da boa vontade deles, distraindo, entusiasmando e controlando. No início é difícil, mas com o tempo, tudo se acomoda. Acreditem.

Essas são algumas fotos de momentos "driblando a falta da babá", para ilustrar nossa "vida flexível":

Supermercado com dois: um dorme no canguru, o outro dirige o carrinho atrelado ao carrinho do supermercado... Foi difícil tirar ele daí!

Precisa ir a academia em dias sem aulas na escola? Sempre dá para pedir um jump emprestado para distrair a prole! Mas antes, explique a ele que não pode pular muito alto, para não se machucar... Outras opções: bolas grandes de Pilates e colchões de abdominal, com brinquedinhos dele em cima! Também funciona pedir para ele fazer uma tarefa, como limpar o aparelho depois que você usar, contar o número de repetições, ou segurar a água da mamãe e lembrá-la de beber... Funciona! O Heitor até me dá parabéns quando termino! :D

Juro que não foi maldade minha. Ele quis ir assim, provavelmente com ciúme do irmão... Foi feliz, mas atacou um bolinho aí dentro.

O carrinho é seu amigo! O cadeirão é seu amigo! Acredite, bebês podem dormir bem na barulheira - no caso do Ben, dorme melhor do que no silêncio... Fique a postos para ir embora se ele não reagir bem, mas arrisque!

Se o marido puder ficar com um dos filhos, seja solidária e leve o outro com você.

O bebê-conforto também é seu amigo, mas tenha cuidado para ele não ficar em falso e cair com a criança dentro.

Cadeirão em restaurante na Venezuela. Essa almofada atrás foi o garçom que improvisou, porque "achou que ele ficaria melhor assim". É impressionante como as pessoas são solidárias quando você está só com a prole, mas é bom ser sempre simpática e pedir desculpas caso a criança incomode...

 

2. Arme-se de acessórios e estruture seu espaço.

São muitas coisas no mercado, a maioria importada, cuja função é deixar a sua vida mais fácil. Muitas parecem inúteis, mas tudo depende das suas necessidades, da sua rotina.

Muitas pessoas dispensam carrinho e carregadores (como wrap, sling ou canguru), porque estão sempre cercadas de parentes e amigos para ajudar com o bebê. Outras não são a favor do uso de microondas com bebês. Para as suas escolhas, existem acessórios úteis que lhe auxiliarão a administrar as crianças. Decidiu não usar esterilizador de microondas? Compre um alarme de cozinha, útil para não esquecer as mamadeiras no fogo enquanto fervem. É só buscar um pouquinho, que itens bem interessantes aparecem! Um aspirador de pó resolve as migalhas de pão no sofá, um "sekito" resolve a meleira no chão quando o iogurte cai. Busque seus acessórios.

Eu, por exemplo, não gosto de usar banheira. Dou banho em Ben no chuveiro, e dei banho no Heitor assim também quando bebê. Tiro a roupa e entro com ele, dou o banho no meu colo e, antes de sair do banheiro, visto o meu roupão para sair para vesti-lo. É o meu jeito, é o jeito mais rápido e prático para mim. Por outro lado, deixo a banheira a postos caso alguém mais precise dar o banho.

Vou publicar apenas alguns itens que acessoram hoje a minha rotina, mas estou às ordens para dar dicas a quem tem uma rotina diferente:
Essa bacia pequena fica o tempo todo no meu banheiro. Serve para jogar rapidamente as cuecas sujinhas de Heitor e roupinhas manchadas de Ben, para que eu possa passar uma água depois, durante o meu banho...

Esses espelhinhos são ótimos para mães como eu, que andam com as crias para cima e para baixo, mas não gostam de tirar o olho delas! O Benício tem um espelho extra, para fazer um jogo de espelhos, que tem uma lampadinha e canções acionadas por um controle remoto...
Seu filho come sozinho? Se não, tente ensinar ele a se virar. Mas ser positivo para ele e uma folga para você. Mesmo que demore, faça alguma sujeira, o tempo gasto para passar um aspirador no arroz caído é menor do que o gasto para dar a comida na boca!


Essa panelinha me quebrou muitos galhos nas papinhas de Heitor! Serve para cozinhar legumes no vapor no microondas. E é baratinha.

Eu não canso dos carrinhos. Minha coluna dói muito, então eles me salvam constantemente. Prefiro os relativamente baratos, para que não tenha pena de vendê-los e comprar novos carrinhos, mais adequados à fase em que as crianças estão ou à nossa rotina. Atualmente, temos dois de passeio, para viagens, e esse duplo (o Benício está escondidinho na cobertura), para usar mais dentro da cidade (ele não tem fechamento "guarda-chuva", mas tem bom peso e é fácil de fechar e abrir!). Hoje comprei um conector que prende os dois carrinhos-passeio, para viagens, mas ainda não experimentei.

O Heitor está em desfralde, então compramos o penico musical. Como as vezes ele não chegava a tempo no penico, compramos um outro (verde) mais baratinho, para ficar mais afastado (na foto, a boneca está usando...). Ele gosta mais do baratinho, e eu poderia ter comprado 10 dele com o preço do azul... A dica é: invista nos baratinhos, e espalhe pela casa. Desfralde é sempre barato e prático!
Cadeirinha que vibra vira cama no quarto da mamãe, na sala, e onde mais for... É brinquedo, é momento relaxante para você. Eu amo.
Mamadeiras lavadas, 200 mL de água, 5 min de microondas, e está tudo pronto. Infelizmente, não posso me dar ao luxo de abrir mão do microondas... Ele salva meu sono.
Isso é uma jarra de vidro graduada com água filtrada, no microondas por 11 minutos (borbulhando por 5 minutos). É assim que preparo a água da mamadeira na minha correria. Ao usar o microondas, é preciso lembrar de obedecer o Tempo de Espera.
Esse cestinho fica "flutuando" pela casa. Serve para trocar Ben quando não posso me deslocar ao trocador, porque estou vendo Heitor fazer outra coisa, ou quando ele dorme no meu quarto... Há fraldas em pelo menos três pontos da casa...!


Esse mixer, da Cousinart, é 3 em 1: é processador, batedeira e um "mini-liquidificador". Faz milagres na hora da papinha. Cortamos as verduras, cozinhamos na panelinha, e o mixer vai dentro da panela, quente mesmo, apenas triturando em modo "leve/low" as verduras difíceis de amassar no garfo. De lá pro pratinho, que tem tampa e também vai ao freezer e microondas. Usamos também esse "misturador" da Black&Decker, que dilui o leite artificial em segundos, já que Ben tem refluxo e precisa de leite engrossado duas vezes ao dia, e o aquecedor de papinhas, para papinhas congeladas (uma cuba de gelo com tampa serve bem para congelá-las), para leite materno congelado e tudo mais que for necessário (já usei até para esterilizar mamadeiras, como contei em posts mais antigos...).

Comprei esse tira-manchas portátil quando viajei para fazer o enxoval de Ben. Mas já vi similares sendo vendidos no Brasil. Deixe na bolsa e use quando eles se sujarem em saídas: isso facilita a lavagem de roupas depois!

O amigo de 10 entre 10 mães sem babá! Limpa golfadas do chão, limpa o cadeirão e a mesa depois que eles comerem, limpa o xixi que escapou. Panos umedecidos descartáveis com desinfetante para limpeza. Existem outras marcas.


Tenho vidrinhos de álcool 70% espalhados pela casa. Eles ajudam a limpar um brinquedinho antes de ir à boca, ajudam a "limpar as mãos" rapidamente quando não dá tempo de ir até o banheiro lavá-las...

Odeio essa ideia de que a TV é a "babá eletrônica". Se a programação é controlada, a TV é fonte de informação e uma aliada. Controle a quantidade, dose com brincadeiras e saídas ao ar livre, e tenha momentos de sossego ao som de "Amigo, estou aqui"!

Resisti, mas acabei cedendo. Eles são a geração Touch-Screen. O Tablet foi presente do avô, é da Disney-Tec Toy. Tem apenas Wi-Fi, mas é controlado. Tanto o ACESSO como a quantidade de USO. Ótimo para consultórios médicos!

 

 3. Organize-se.

Não tem jeito: tudo depende se organização. Nada funcionará sem regras básicas e ajuda de todos os membros da casa, inclusive das crianças. Faça listas, use Apps no celular, alarmes, post-its. Estabeleça os horários e o modo de fazer as coisas, mas deixe tudo flexível (todos podem dar o remédio se chegou a hora, mas, p. exe., devem registrar isso em um quadro branco na cozinha).

Se a coisa não der certo de um jeito, tente de outro. Leia, descubra outros jeitos, ouça ideias que deram certo. Toda essa organização só vai ajudar seus filhos no futuro, vai ensiná-los que nem sempre alguém fará as coisas por eles. Ganharemos, apesar do cansaço que sentiremos, no exemplo dado!


Nada de centralizar. Aqui em casa a rotina das crianças é pública. Isso evita que algo distraia quem é responsável pelo controle da rotina, e algo não seja feito. Todos em casa incorporam os horários e a coisa flui. Fita dupla face para parede, um quadrado de EVA e uma folha de papel. O lacinho vermelho é só para ficar "cute"... :)

Esse é o nosso banheiro inclusivo. Nele, o Heitor usa o vaso, lava as mãos e escova os dentes "sozinho" (vez ou outra precisamos acessorar para ter certeza de que tudo foi feito...).
O outro banheiro tem essa toalhinha que ele adora: eu costurei uma fitinha para ficar mais fácil dele pendurar no ganchinho!
Uma forma de evitar que sua casa fique de pernas pro ar com brinquedos é delimitar o espaço para brincar. Como nem sempre as fronteiras são respeitadas, como a foto demonstra, e o Buzz Lightyear inventa de visitar o sofá, as vezes é preciso parar tudo e levá-lo para recolher todos de volta. Cestos pequenos identificados, separados por tipo de brinquedo (trens, carros etc) facilita que eles entendam onde vai o quê.
Esse App (Share Timer) avisa quando já se passou o tempo para troca de fraldas, mamadeira ou sonequinha. Útil para os momentos de cabeça muito cheia...
Esse App (iBebê) faz um diário da rotina do bebê. É chato de alimentar, mas pode ser útil para lembrar a hora em que o remédio foi dado.

Por fim, esse App (Lembretes) serve pra qualquer coisa. Tem alarme e pode ser programado rotineiramente.
Mais um exemplo de inclusão de brinquedos na organização da casa. Convém a criança deixar tudo organizado aí também.
Na rotina daqui de casa, as mamadeiras e a água são fervidas normalmente à noite, e uma mamadeira com água já fervida e filtrada, além do pote com leite em pó já separado, ficam já a postos, prontos para serem usados. A última pessoa que deu a mamadeira é responsável por encher a próxima.

A internet também é minha amiga. Há muitas mães na mesma situação que também compartilham dicas fantásticas. Uma rápida pesquisa no Google pode levar a empresas que fornecem coisas prontas (até papinhas orgânicas prontas!), receitas de papinhas rápidas, cardápios, dicas de itens, sugestões de roteiros e passeios com crianças... Em um clique!

 

4.Visite berçários e escolas e analise o que tem à disposição para os horários de trabalho.


Existe ainda no país um grande preconceito com os berçários, como se a mãe que deixa o filho lá estivesse "abandonando-o". É estranho, porque deixar o filho em casa com uma babá não passa essa impressão. Preconceito entranhado.

Hoje existem berçários excelentes e escolas em turno integral maravilhosas. Neles, as crianças tem excelentes refeições frescas, com cardápios controlados por nutricionistas; praticam esportes, brincam com monitoras preparadas. Muitos berçários tem circuito interno de TV, e informam detalhadamente aos pais a rotina da criança na sua ausência.
 
A verdade é que, de um jeito ou de outro, é sempre difícil deixar os filhos com terceiros para trabalhar.

Se não há como, dentro da sua estrutura familiar e carreira, um dos pais deixar o trabalho para cuidar das crianças nos primeiros anos, e se não há uma "casa da vovó" onde deixá-los, é preciso procurar o que o mercado local oferece de melhor. Se for uma babá, estruturar a própria rotina e dar conta sozinha dos  filhos fará você saber o que exigir dessa profissional. Ela fará exatamente aquilo que está predeterminado, e durante o período em que você estiver fora. E você poderá continuar cuidando das crianças nos horários livres, como forma de conhecê-los.

Decidi usar assim dos serviços de berçário desde que viajei com o Heitor, já sem babá, e me atrapalhei imensamente fazendo tudo. Uma babá, nessa época, não podia faltar sem que eu enlouquecesse. Daí porquê dominar a rotina dos filhos pode ser uma libertação!

Ninguém precisa ser refém da babá, nem fazer da babá refém...

5. Aceite que nem tudo precisa ser perfeito.


Me chama a atenção como todo mundo acha óóóótimo o modo estrangeiro de não necessitar de empregados domésticos, mas ninguém cogita dar um suco de caixinha ao filho, ou dar nele um banho fora do horário pré-estabelecido.

A regra é simples: relaxe. Se você vai administrar sua carreira, sua casa, seus filhos, precisa entender que nem tudo deverá sair perfeito. Se um dia um deles tomar o banho mais tarde porque dormiu demais a sua soneca, não será o fim do mundo. Eventualmente, seu marido vai esquecer de encher a mamadeira, e a água estará quente para servir rapidamente: é preciso relaxar, para poder ter a ideia de trocar a ordem das refeições e dar a fruta antes do leite.

Seja flexível, seja adaptável, e descobrirá que viver assim pode ser gostoso e produtivo.

6. Passa. Felizmente, e infelizmente.


 Às vezes a coisa estoura e vocês ficam por um fio. Às vezes todos brigam. Às vezes os meninos não obedecem e você perde a calma. Muitas vezes você não sabe o que fazer. Eles fazem cocô ao mesmo tempo e você não sabe quem limpar primeiro. Eles choram ao mesmo tempo e você quer se trancar no quarto.

Seu cabelo e suas unhas ficam um tempão sem ver o salão, você passa tempo demais de camisola. Sua roupa fica golfada com frequência. Se você consegue uma pessoa de confiança para dormir com as crianças, você sai; senão, você passa muito tempo sem ver a rua à noite... Você usa seu cabelo preso com mais frequência. Evita saltos. Não come direito. Afasta-se dos amigos. Você esquece de malhar.

É difícil. Com organização, é possível driblar essas problemas, e achar um horário para malhar às 09 da noite ou às 06 da manhã. Aumente o tempo de berçário e se dê algumas horas.

 É preciso incluir também na organização dos filhos a organização das suas necessidades. Exercícios, alimentação, beleza, algumas horas escrevendo em um blog...

Muitas vezes você esquecerá de si mesma, e estará em casa, durante a doença do seu filho, descabelada e mal vestida. E se arrependerá.

Não se arrependa. Tudo passa. Eles crescem, e amadurecem. Eles precisam menos dos pais por volta dos três anos. Parece que nunca vai chegar, mas quando chega, você acha que passou rápido demais... E conclui: vale a pena. Você conhece seu filho e ele lhe conhece. Você sabe interpretá-lo, sabe controlar sua raiva, sabe lidar com suas frustrações. Sabe o que ele consegue e não consegue fazer. Sabe respeitar sua personalidade. Você aprende a ler seu filho de uma forma intensa.

Essa é a minha maior dica para quem decide não ter babá: TUDO ISSO PASSA. Curta o que é bom, respire e abstraia a parte complicada. Drible as dificuldades com a tarimba de uma malabarista. Viva os primeiros anos do seu filho e verá que rápido demais, sua vida estará de volta às suas mãos. E você, pasmem, sentirá saudades de quando ele subia nas estantes e lhe fazia arrancar os cabelos...